Comecei a trabalhar essa semana, em uma revista feminina chamada
Ouse, da Editora Símbolo, que já existiu, mas saiu de circulação, e agora vai voltar, mas como um novo projeto editorial. Ok, isso tudo eu decorei de tanto explicar para as pessoas já. O motivo do post não é fazer propaganda (mas, quando ela sair, eu vou fazer para todo mundo comprar e me ler). O motivo do post é a peculiaridade que irei lhes contar: eu não posso trabalhar de sapatos.
Pois é, são normas da empresa. De acordo com eles (eles é uma coisa abstrata para mim, devem ser os donos), jornalista funciona melhor e produz mais sem sapatos. Os pés precisam estar relaxados e confortáveis no chinelinho Havaiana, pantufas ou Crocs até. Alguma coisa de filosofia Oriental, budismo - não faço ideia, na verdade.
Então eu fiquei em choque. Afinal, eu não gasto horrores em sapatos para deixá-los no armário da entrada, junto com outros sapatos quaisquer. Não arrumei um emprego com a pretensão de gastar todo meu salário em sapatos se não vou poder usá-los em todos os momentos da minha vida. E não adianta, não vou gastar em sapatos de balada, porque nem saio mais tanto quanto antigamente.
Eu posso me conformar com pegar ônibus todos os dias, pegar trânsito, não voltar para casa até às oito da noite, não dormir mais tanto quanto antes ou até ficar horas na redação fazendo quase que nada (porque, vamos admitir, né?). Mas não posso me conformar com o fato de não poder usar meus sapatos!
Ok, vou confessar: trabalhar de pantufas é mesmo confortável. Me sinto em casa. Mas me sinto também, ao mesmo tempo, traidora ao abandonar minha Melissa vermelha nova do Pequeno Príncipe no armário, minha
bota linda sozinha, minhas sapatilhas a Deus dará! Imagine os Arezzos então - nem os submeti a isso. Agora, vivo em uma realidade menos bonita e descalça.
Isso me baixou a Carrie Bradshaw e me fez lembrar do episódio que dá nome a esse post, em que ela precisa largar seus Manolos na entrada de uma festa, porque a mulher tem crianças em casa e não quer que ninguém leve sujeira da rua para seu chão.
É o fim. Nenhuma mulher merece isso. Como disse Carrie, agora vou ter que arrumar algum outro acessório grande e chamativo para compensar. Olha quanto trabalho!