Esse é um post voltado para você garoto de mais de 16 anos. Imagino que não existam muitos meninos que leiam meu blog, mas pode servir para garotas mandarem de dica (sutilmente) para seus namorados e/ou amiguinhos, eventualmente.
Trata-se de um consenso geral sobre tipos de roupas que homens (acima dessa idade) não devem usar de jeito nenhum, simplesmente porque é ridículo e as mulheres não gostam mesmo. Está bem, não sei dizer se é um consenso geral e se, realmente, todas as mulheres não gostam, mas é entre mim e minhas amigas, então já acho o suficiente para merecer um post aqui. Então, lá vão alguns pontos que nós levantamos após árduas pesquisas de opinião.
Se você é do sexo masculino, tem mais de 16 anos e não mora no litoral, nunca use:
1. Bermuda de tactel. Esse tipo de tecido foi feito para se usar na praia, no clube e só. Sair por aí de bermuda (calça, então, desconsidero) de tactel - ir à escola/faculdade, shopping, academia, barzinho, qualquer coisa - é completamente inadmissível. Não é bonito, tá? E não vou nem comentar sobre a cartela de cores "chegueis" possíveis para esse tipo de material.
2. Boné de tactel. Segue o mesmo princípio da bermuda de tactel, servindo apenas para dias de sol em locais abertos (claro, usar boné em lugar fechado não faz o menor sentido), no clube e na praia. Segue também a mesma lógica das cores e estampas de ondas, pranchas, grafites, skates etc. (I said no, no, no...).
3. Boné de outros tecidos. Aceitável. Mas nunca, jamais, use para sair à noite. Jamais. (Isso inclui o famoso chapéu "cata-ovo" utilizado pela galera do psy em baladas).
4. Camisetas com estampas de ondas, pranchas, grafites, skates etc. Porque você já passou dessa fase, querido. Agora, já é hora de começar a se vestir como gente grande. A não ser que você seja surfista ou o Chorão do Charlie Brown Jr.
5. Tênis de skatista. Aqueles grandes, largos, com cadarços multicor, fitas adesivas remendando e outros apetrechos mais. Isso a não ser que você seja skatista (mas, sério, depois dos 16 anos já deu, né? Ao menos que você seja, novamente, o Chorão). Além do mais, é muito triste você, menina, se arrumar toda para sair com o garoto, colocar aquela sua sandália linda-última-moda-Glória-Kalil-recomenda e, ao olhar para o pé dele, se deparar com um tênis encardido e feio...
Eu juro que não tenho nada contra surfistas e skatistas. Só contra a moda deles (que, por mim, devem ficar restritas a seus locais específicos). Mas não imagino, mesmo, que isso seja um consenso - só entre mim e minhas amigas.
31/03/2009
29/03/2009
Discussões que não posso ter com a Nathalia - Parte II
Sobre o livro O Encontro Marcado
Essa é a mais difícil, entre todas, de explicar. Quando aconteceu, a Nathalia não tinha lido ainda o livro citado, que é o meu favorito. O motivo da discussão foi quando eu citei para ela o seguinte trecho: “Tenho uma coisa muito importante para dizer, mas prefiro não dizê-la. Só é sincero aquilo que não é dito”. A explicação é de que o silêncio é a linguagem de Deus. A linguagem do homem é suja, rebuscada, atormentada. Melhor explicando: você ama uma pessoa. Mas você ama tanto, tão infinitamente, que não basta apenas dizer que a ama, nunca é o suficiente. Logo, quando você diz “eu te amo”, você está mentindo, porque apenas isso não é equivalente ao seu sentimento. Eu acho essa a teoria mais inteligente que já li e a coisa mais bonita do mundo.
Mais tarde, quando a Ná resolveu incluir a mãe dela na discussão, fiquei sabendo da explicação por trás dessa passagem do livro: Fernando Sabino se refere ao Ágape, ou seja, “o amor puro na essência espiritual, que não pode ser descrito com palavras ou sequer representado por símbolos. Pode apenas ser sentido e idealizado, jamais verbalizado em qualquer sentido, pois não haveriam palavras suficientes para descrevê-lo”. Ela ainda me contou o seguinte: “Essa citação também se refere aos deuses pagãos (Hare Krishina, Druídas, Celtas), onde as deidades não poderiam verbalizar as sensações, pois eram indescritíveis. Se descritas ou postas em palavras, perderiam seus encantos e não seriam mais divinas, tornar-se-iam contaminadas e sujas”. Depois disso, não preciso nem explicar mais nada.
Mas a Nathalia continua teimando o lado dela. Este, de que as palavras são essenciais em nossas vidas e em nossos relacionamentos. Toda vez que entramos nesse papo, ele fica meio distorcido, mas o ponto dela é de que jamais seríamos felizes sem ouvir ou falar um “eu te amo”, sem jamais expressarmos o que sentimos. Porque só o silêncio não constrói uma boa relação – pelo contrário, pode destruí-la. Que ouvir o que a pessoa acha de você é muito mais importante do que uma demonstração de afeto de outra forma. (Eu acho que, na verdade, depois que ela leu o livro – por minha insistência –, mudou de opinião, mas simplesmente não quer admitir).
Essa é a mais difícil, entre todas, de explicar. Quando aconteceu, a Nathalia não tinha lido ainda o livro citado, que é o meu favorito. O motivo da discussão foi quando eu citei para ela o seguinte trecho: “Tenho uma coisa muito importante para dizer, mas prefiro não dizê-la. Só é sincero aquilo que não é dito”. A explicação é de que o silêncio é a linguagem de Deus. A linguagem do homem é suja, rebuscada, atormentada. Melhor explicando: você ama uma pessoa. Mas você ama tanto, tão infinitamente, que não basta apenas dizer que a ama, nunca é o suficiente. Logo, quando você diz “eu te amo”, você está mentindo, porque apenas isso não é equivalente ao seu sentimento. Eu acho essa a teoria mais inteligente que já li e a coisa mais bonita do mundo.
Mais tarde, quando a Ná resolveu incluir a mãe dela na discussão, fiquei sabendo da explicação por trás dessa passagem do livro: Fernando Sabino se refere ao Ágape, ou seja, “o amor puro na essência espiritual, que não pode ser descrito com palavras ou sequer representado por símbolos. Pode apenas ser sentido e idealizado, jamais verbalizado em qualquer sentido, pois não haveriam palavras suficientes para descrevê-lo”. Ela ainda me contou o seguinte: “Essa citação também se refere aos deuses pagãos (Hare Krishina, Druídas, Celtas), onde as deidades não poderiam verbalizar as sensações, pois eram indescritíveis. Se descritas ou postas em palavras, perderiam seus encantos e não seriam mais divinas, tornar-se-iam contaminadas e sujas”. Depois disso, não preciso nem explicar mais nada.
Mas a Nathalia continua teimando o lado dela. Este, de que as palavras são essenciais em nossas vidas e em nossos relacionamentos. Toda vez que entramos nesse papo, ele fica meio distorcido, mas o ponto dela é de que jamais seríamos felizes sem ouvir ou falar um “eu te amo”, sem jamais expressarmos o que sentimos. Porque só o silêncio não constrói uma boa relação – pelo contrário, pode destruí-la. Que ouvir o que a pessoa acha de você é muito mais importante do que uma demonstração de afeto de outra forma. (Eu acho que, na verdade, depois que ela leu o livro – por minha insistência –, mudou de opinião, mas simplesmente não quer admitir).
27/03/2009
O caso da sobrancelha
Nas férias, como não acho ninguém em Cachoeira que tire minha sobrancelha ao meu gosto, eu mesma decidi fazê-la. Logo, durante dois meses, consegui estragá-la bastante (o suficiente para deixar uma mais fina que a outra). Então, desde o carnaval, eu acho, resolvi deixar tudo crescer para consertar aqui em São Paulo - e também porque queria dar uma afinada, uma melhorada. Bom, como vocês podem notar, eu deixei crescer por bastante tempo, chegando a um estado grande de sobrancelhice aguda - quiçá, monocelhice.
Ontem, fui ao salão e uma mulher nova me atendeu. Eu tirei a franjinha do rosto e ela, após observar, me perguntou:
- É a primeira vez que você tira a sobrancelha, menininha?
Tudo que consegui pensar foi: "Céus, a situação está mesmo crítica". Fiquei com vergonha do meu estado.
Pelo menos ela a deixou bonita, do jeito que eu queria mesmo (obrigada, Célia).
Ontem, fui ao salão e uma mulher nova me atendeu. Eu tirei a franjinha do rosto e ela, após observar, me perguntou:
- É a primeira vez que você tira a sobrancelha, menininha?
Tudo que consegui pensar foi: "Céus, a situação está mesmo crítica". Fiquei com vergonha do meu estado.
Pelo menos ela a deixou bonita, do jeito que eu queria mesmo (obrigada, Célia).
25/03/2009
Discussões que não posso ter com a Nathalia - Parte I
Existem alguns assuntos que a Nathalia, minha roomate, e eu não podemos ter de jeito nenhum. Isso porque nós duas somos parecidas em muitos aspectos – entre eles, na teimosia e na dificuldade (basicamente inexistência) de dar o braço a torcer. Bom, somos amigas já há alguns anos, mas só fomos descobrir essas divergências, digamos, mortais, ano passado, quando começamos a morar juntas. Eram três, mas recentemente descobrimos uma quarta. São elas motivos de horas de debate, cara feia e inclusão forçada de outras pessoas na “briga” (meu lado contra o dela). Tudo para concluir que “se for continuar assim, teremos que colocar um varal e um lençol dividindo nosso quarto ao meio”.
Vou contar as discussões em posts separados, como uma série. Mas quero deixar claro, antes de tudo, que não estou escrevendo com o propósito de acirrar as brigas lá em casa ou ser tendencionista em meus argumetos*. Ná, quando você ler isso, não precisa fazer um comentário megagigante dando seu ponto de vista e persuadindo as pessoas a pensarem como você. O Hialoplasma é um blog democrático e a favor do livre arbítrio. Entretanto, dou o direito à réplica, caso você queira fazê-la, em seu blog.
Sobre viajar ou não com guias turísticos
Não me refiro àqueles guias encadernados, com mapas e dicas, um Quatro Rodas da vida. Pelo contrário, isso é muito importante, senão você se torna apenas uma barata perdida em um lugar estranho. Não, refiro-me aos guias-humanos. Aqueles que acompanham excursões, planejam passeios e fazem você usar uma pulseirinha de identificação. São os famosos Guias CVC.
Eu sou contra. Viagens programadas com guias são apenas uma comodidade a mais (ou seja, uma preguiça de planejar sozinho seu passeio) com o único propósito de te deixar mais pobre (porque saem mais caras: você tem que pagar o salário do cara, afinal). Quão mais prazeroso não é você mesmo decidir seu caminho, o rumo da sua viagem. Se você não está afim de acordar às 7 da manhã para fazer aquele passeio ao centro histórico da cidade, não precisa. Acorde a hora que quiser e vá a hora que achar melhor. Se você também é uma dessas pessoas que não sente a menor alegria em compartilhar um ônibus com mais 40 turistas e suas máquinas fotográficas, olhando todos pela janela direita “a fabulosa praia de Carapicuíba, mas que, infelizmente, não teremos tempo para parar” porque tudo está agendado e programado, com seus horários de começar e acabar marcados, você pensa como eu.
Minha querida amiga, entretanto, acha um absurdo. Imagine você, sozinho em outro país, por exemplo, de idioma desconhecido, perdido no meio de um monte de pessoas estranhas, com nada mais que um mapinha e um dicionário de bolso. Perigosíssimo. Muito melhor é ter alguém te guiando e ajudando nos passeios, para você não perder tempo e poder conhecer os principais pontos turísticos comodamente.
(Observação: Eu não acho nada uma perda de tempo. Ficar perdido, ter que pedir informações e outras situações do gênero apenas fazem parte da aventura de conhecer novos lugares – e, depois, ter história para contar).
Esse foi o primeiro assunto que descobrimos que jamais entraremos em um acordo. Um problema, claro, quando resolvemos entrar no tópico de nossas conversas Programar Nossa Viagem Para a Europa, que, por enquanto, e devido a isso, é apenas algo vago.
* Mentira, eu vou ser completamente tendencionista. O blog é meu, eu que mando.
23/03/2009
Príncipes e Princesas
Essa é uma informação semiconfidencial. Na verdade, meu amigo só não gosta que espalhem por aí. Mas, sabe como é, não se pode contar segredos para jornalistas. Ainda mais quando é uma coisa tão bacana assim.
A história é que descobri um tal Roberto Barracco, de família italiana, que, ano passado, resolveu fazer cursinho e estudar na mesma sala que minha amiga – e foi assim que nos conhecemos. E foi ela quem me contou que o Roberto veio com o papo, um dia, de que a família dele era nobre. Então eu fui averiguar (e aproveitei para usar a pauta em um trabalho da faculdade semana passada).
O Roberto me contou que a família dele vem lá do século catorze, de uma Itália feudal, dessa Europa de filmes que vemos e que estudamos no colégio. E eles possuíam um feudo que ia de uma costa à outra da bota italiana. Depois, com a centralização do poder, eles perderam umas terras, mas não o suficiente para ficarem ralés. E ainda receberam títulos. De barões (pois é, minha gente). E essa história de títulos é passada de geração em geração, eternamente, sempre transmitida pelo primeiro filho homem. E é por isso que, passados anos e anos, mesmo depois que seu avô veio embora para o Brasil (na Segunda Guerra Mundial), o Roberto ainda é barão. É, ele mesmo. O garoto de 19 anos tem o nome impresso no livro das famílias nobres da Itália, publicado anualmente.
Mas o mais impressionante é que não pára aí. Não basta existir um nobre morando ali perto de mim (eu no Paraíso, ele nos Jardins). Ele ainda conhece vários (sim, ele usou esse termo) nobres. E muitos com títulos ainda maiores que os dele. Ser barão é pechincha quando você pode ser, digamos, um príncipe (não estou brincando). Segue o diálogo que tive com ele (essa informação é especial para minha colega casperiana Joana):
- A mulher que se casar com você vai receber o título de baronesa?
- Sim.
- E se eu me casar com um príncipe?
- Vira princesa.
- Jura?
- Juro.
- Mentira.
- Não, sério.
- Você tá me zuando.
- Não.
- Meu Deus, me apresenta um príncipe então! Meu sonho sempre foi ser princesa.
- Mas só conheço príncipes de 80 anos.
- Pode ser! O importante é eu ser princesa.
Bom, depois ele me explicou que, dentro desses títulos maiores, é comum, ainda hoje, o casamento consangüíneo. Disse que a princesa mais nova que ele conhece, chamada Lutti, de 14 anos, sofre de intolerância à proteína por isso.
- E o que ela come então?
- Nada, só salada.
- Então, além de princesa, ela é magra...
Invejo para sempre esse submundo da nobreza paulistana.
A história é que descobri um tal Roberto Barracco, de família italiana, que, ano passado, resolveu fazer cursinho e estudar na mesma sala que minha amiga – e foi assim que nos conhecemos. E foi ela quem me contou que o Roberto veio com o papo, um dia, de que a família dele era nobre. Então eu fui averiguar (e aproveitei para usar a pauta em um trabalho da faculdade semana passada).
O Roberto me contou que a família dele vem lá do século catorze, de uma Itália feudal, dessa Europa de filmes que vemos e que estudamos no colégio. E eles possuíam um feudo que ia de uma costa à outra da bota italiana. Depois, com a centralização do poder, eles perderam umas terras, mas não o suficiente para ficarem ralés. E ainda receberam títulos. De barões (pois é, minha gente). E essa história de títulos é passada de geração em geração, eternamente, sempre transmitida pelo primeiro filho homem. E é por isso que, passados anos e anos, mesmo depois que seu avô veio embora para o Brasil (na Segunda Guerra Mundial), o Roberto ainda é barão. É, ele mesmo. O garoto de 19 anos tem o nome impresso no livro das famílias nobres da Itália, publicado anualmente.
Mas o mais impressionante é que não pára aí. Não basta existir um nobre morando ali perto de mim (eu no Paraíso, ele nos Jardins). Ele ainda conhece vários (sim, ele usou esse termo) nobres. E muitos com títulos ainda maiores que os dele. Ser barão é pechincha quando você pode ser, digamos, um príncipe (não estou brincando). Segue o diálogo que tive com ele (essa informação é especial para minha colega casperiana Joana):
- A mulher que se casar com você vai receber o título de baronesa?
- Sim.
- E se eu me casar com um príncipe?
- Vira princesa.
- Jura?
- Juro.
- Mentira.
- Não, sério.
- Você tá me zuando.
- Não.
- Meu Deus, me apresenta um príncipe então! Meu sonho sempre foi ser princesa.
- Mas só conheço príncipes de 80 anos.
- Pode ser! O importante é eu ser princesa.
Bom, depois ele me explicou que, dentro desses títulos maiores, é comum, ainda hoje, o casamento consangüíneo. Disse que a princesa mais nova que ele conhece, chamada Lutti, de 14 anos, sofre de intolerância à proteína por isso.
- E o que ela come então?
- Nada, só salada.
- Então, além de princesa, ela é magra...
Invejo para sempre esse submundo da nobreza paulistana.
21/03/2009
Dia de limpeza
Com funk.
A vida anda meio parada.
Qualquer dia eu conto como fizemos amizade com os meninos da república vizinha (e ganhamos uma mesa deles).
18/03/2009
Caos
Ontem, fiquei 3 horas e meia presa no trânsito de São Paulo. Três horas e meia e um percurso que deveria durar, no máximo, meia hora. Nesse tempo, dava para eu ter chegado em Cachoeira Paulista de ônibus. De carro, acho que chegaria em Volta Redonda.
Vou voltar para o interior. Lá não tem essas coisas caóticas (quando você fica parado em um engarrafamento, pode ter certeza de que é o caminhão de lixo que está passando).
Ou, então, carretada política. Mas, isso, só de 4 em 4 anos.
Ou, então, carretada política. Mas, isso, só de 4 em 4 anos.
14/03/2009
Preparação
Enquanto a pedicure fazia a minha unha hoje, que estava doendo muito (não vou usar o termo desencravar, porque acho muito nojento, apesar de ter acabado de usá-lo), fiquei pensando: "São momentos como esse que me preparam para a vida real". Porque lá estava eu, sofrendo uma dor que ninguém merece, pedindo aos céus que aquilo acabasse logo. Entretanto, nunca se sabe o que a vida nos aguarda. Vai que um dia explode uma guerra ou instala-se uma ditadura e, então, acontece alguma coisa e eu acabo sendo presa e submetida à tortura (jornalistas são sempre grandes alvos). É bom saber que já estou preparada. Porque, imagino, consertar a unha do pé e levar choques elétricos se encontram no mesmo patamar de dor.
Outro exemplo, mais real (mas, não por isso, mais leve que o anterior), que me aconteceu esse ano. Eu era uma pessoa fresca. Sempre fui. Sabe como é, caçulinha do papai, filha única da mamãe. E eu sempre tive um banheiro só para mim em casa. Mas, ano passado, ao morar em um pensionato, tive que aprender a dividir chuveiro e outros locais de higiene. E não com uma ou duas pessoas a mais. Mas cerca de 50 (só no meu andar. Porque lá, os banheiros são tipo os de clube - várias cabines, lado a lado - e tem um por andar). Foi difícil. Duro. Imagine você entrar em um box, querendo tomar aquela ducha relaxante no final do dia, e encontrar um chumaço de cabelo no chão que não te pertence. E você nem sabe a quem poderia pertencer. (Sim, lá eu constatei que meninas podem ser muito, muito porcas). (Concluí que prefiro dividir banheiro com homens: eles não tem cabelo para perder no ralo). Mas, enfim, eu superei esse terrível ano da minha vida (e depois aprendi os melhores horários para tomar banho, tipo depois do almoço, quando a faxineira acabou de limpar).
Porém, essa foi uma das melhores experiências que já tive. Não que eu tenha gostado (prefiro nem lembrar), mas me deixou calejada para qualquer situação. E, esse ano, aconteceu o momento pelo qual eu tanto me preparei: no carnaval, em São Luiz do Paraitinga.
A cidade recebeu pessoas além da sua capacidade (cerca de duzentas mil). E o que aconteceu? Bom, eles não tinham infraestrutura para isso: a água acabou no sábado. Foi um dia terrível, com um sol de 50 graus nos derretendo atrás do bloco do Juca Teles, a maior muvuca do universo. Não dava para passar um dia sem banho. Eis que, então, descobrimos um camping perto de nossa casa que tinha água (da caixa d'água que eles construíram para momentos de emergência como esse). Fomos todas tomar banho lá.
Cinco reais por cinco minutos. Pelo menos, para as mulheres, era na suíte do quarto da dona do lugar (para os homens, era ducha gelada mesmo). Para mim, seria um malabarismo conseguir lavar meu cabelo, na altura da cintura, em cinco minutos. E, fiquem sabendo de mais: caíam cerca de cinco gotas por vez daquele chuveiro que diziam ser quente.
Quando entrei no banheiro, senti que aquele era o meu momento de glória. Ainda em 2007, eu teria morrido, vomitado, passado mal, pedido para voltar para casa imediatamente. Mas, agora, sou forte. Estava preparada. E foi fácil, muito fácil (tirando enxaguar o shampoo e condicionador). Venci mais um obstáculo que a vida me impôs. E saí muito feliz para o bloco do Balacobaco, limpa e sem traumas.
Outro exemplo, mais real (mas, não por isso, mais leve que o anterior), que me aconteceu esse ano. Eu era uma pessoa fresca. Sempre fui. Sabe como é, caçulinha do papai, filha única da mamãe. E eu sempre tive um banheiro só para mim em casa. Mas, ano passado, ao morar em um pensionato, tive que aprender a dividir chuveiro e outros locais de higiene. E não com uma ou duas pessoas a mais. Mas cerca de 50 (só no meu andar. Porque lá, os banheiros são tipo os de clube - várias cabines, lado a lado - e tem um por andar). Foi difícil. Duro. Imagine você entrar em um box, querendo tomar aquela ducha relaxante no final do dia, e encontrar um chumaço de cabelo no chão que não te pertence. E você nem sabe a quem poderia pertencer. (Sim, lá eu constatei que meninas podem ser muito, muito porcas). (Concluí que prefiro dividir banheiro com homens: eles não tem cabelo para perder no ralo). Mas, enfim, eu superei esse terrível ano da minha vida (e depois aprendi os melhores horários para tomar banho, tipo depois do almoço, quando a faxineira acabou de limpar).
Porém, essa foi uma das melhores experiências que já tive. Não que eu tenha gostado (prefiro nem lembrar), mas me deixou calejada para qualquer situação. E, esse ano, aconteceu o momento pelo qual eu tanto me preparei: no carnaval, em São Luiz do Paraitinga.
A cidade recebeu pessoas além da sua capacidade (cerca de duzentas mil). E o que aconteceu? Bom, eles não tinham infraestrutura para isso: a água acabou no sábado. Foi um dia terrível, com um sol de 50 graus nos derretendo atrás do bloco do Juca Teles, a maior muvuca do universo. Não dava para passar um dia sem banho. Eis que, então, descobrimos um camping perto de nossa casa que tinha água (da caixa d'água que eles construíram para momentos de emergência como esse). Fomos todas tomar banho lá.
Cinco reais por cinco minutos. Pelo menos, para as mulheres, era na suíte do quarto da dona do lugar (para os homens, era ducha gelada mesmo). Para mim, seria um malabarismo conseguir lavar meu cabelo, na altura da cintura, em cinco minutos. E, fiquem sabendo de mais: caíam cerca de cinco gotas por vez daquele chuveiro que diziam ser quente.
Quando entrei no banheiro, senti que aquele era o meu momento de glória. Ainda em 2007, eu teria morrido, vomitado, passado mal, pedido para voltar para casa imediatamente. Mas, agora, sou forte. Estava preparada. E foi fácil, muito fácil (tirando enxaguar o shampoo e condicionador). Venci mais um obstáculo que a vida me impôs. E saí muito feliz para o bloco do Balacobaco, limpa e sem traumas.
10/03/2009
08/03/2009
03/03/2009
Eu juro que voltei viva de São Luiz do Paraitinga - e continuo viva (apesar da megainflamação de garganta que tive). É que só agora que meu cérebro está voltando ao ritmo normal de pensação e criação de idéias. Mas prometo postar logo (hoje os caras da NET vieram aqui, finalmente. Mas só temos um computador com internet por enquanto, então estamos revezando até comprar um roteador e arranjar alguém para instalá-lo). Para o post não passar em branco e sem graça, deixo uma foto do meu carnaval :)

PS: Também prometo responder a todos os comentários que não respondi ainda de posts antigos. Farei isso a qualquer momento (qualqueeer momento). (Ando fazendo muitas promessas).
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