22/02/2009

Propaganda no Orkut

"Estagio Jornalismo
Milhares de Estágios Nesta Área."

Gente, milhares! E depois dizem que o mercado está saturado. Não sei nem como não arranjei um emprego ainda.



Estou em São Luiz do Paraitinga. Se eu não morrer de ouvir marchinhas, volto para casa quarta.
Bom carnaval para todo mundo, êee!

20/02/2009

Papo de salão

Minha amiga me contando o diálogo que teve no salão de beleza que descobrimos perto de casa, enquanto fazia a unha (eu já tinha ido embora, porque não conseguimos marcar horário juntas):
- Você e a outra garota que veio aqui antes são amigas?
- Não, nós moramos juntas.
Silêncio constrangedor.
- Faz tempo?
- Ah, desde o ano passado.
Silêncio constrangedor continua por uns bons minutos, até que a manicure fala:
- Mas vocês moram juntas porque fazem faculdade?
- Sim, claro.
- Ah tá!
Só então cai a ficha a dela.
Em casa, enquanto ela me conta, rindo, eu pergunto:
- Mas, afinal, por que você disse para ela que não somos amigas?

18/02/2009

O sonho da Samanta

Esses dias atrás, eu estava observando minha cachorra dormir. Às vezes, ela tem uns espasmos, mexe as patinhas, emite uns sons indecifráveis. Às vezes, ela até chora. Então, fiquei pensando: o que será que os cães sonham? Porque, para ela reagir daquela forma, só pode estar sonhando. Foi então que imaginei o sonho mais maravilhoso da vida da Samanta.
Ela estaria dormindo no quintal, no seu lugar de sempre, lá nos fundos. Abriria os olhos, bem devagar, ainda naquele estágio em que a gente não sabe se está dormindo ou está acordado, e veria meus pais a chamando para entrar em casa (percebe que foi esse o som que a fez despertar). Eles pedem: “Samantinha, vem aqui para dentro, vamos fazer carinho na sua barriga e atrás da sua orelha, vamos deixar você mastigar o controlerremoto, vamos assistir ao DVD de Marley e Eu. Vem, Samatinha”. Ela sorriria aquele sorriso de cachorro, ainda um pouco confusa com a cena, mas feliz, extremamente feliz. Naquele momento, veria que não existe a Mafalda. Não há nenhum outro cachorro no quintal latindo para ela, aquele latido fino de filhote, mordendo seu pescoço e puxando sua perna para brincar. Era só ela, a única da casa, a rainha soberana do lar.
Então se levanta para ir em direção à porta. Mas, de repente, em uma fração de segundo, tudo muda. Ela sente o cheiro, percebe algo de diferente no ar. Quando vira seu grande focinho preto em direção ao outro lado do quintal, quase enfarta: vê pães. Pães de sal. Muitos. Milhares. Milhões. Cobrindo o jardim. Cobrindo a casa. Quer dizer, toda a casa é feita de pães. Pão fresquinho, não aqueles duros que meu pai costuma dar a ela e que leva um tempão para mastigar. Não, aqueles ali são do tipo que poderiam ser devorados em uma bocada só. Ela analisa a situação: deveria começar a comer a maior quantidade possível, o mais rápido que pudesse, antes que tudo desaparecesse, ou optaria por mastigar delicadamente (coisa que ela nunca faz), apreciando o sabor de cada pão daquele monte Everest de pães? Meus pais já não existem mais. Samanta acaba decidindo pela primeira opção – nunca se sabe o que pode acontecer. Ali, só ela e os pães, no mundo do pãozinho francês cheirosinho, a grande padaria universal. Um mundo ideal.

16/02/2009

Cigarras and the City

Minhas amigas saíram esses tempos, em uma noite que eu não pude ir. No outro dia, fui colocada à par do principal assunto daquela mesa de bar: o fato de que já não chegam mais tantos homens na gente quanto antigamente. Elas surgiram, então, com duas possíveis respostas para o problema apresentado:
a) Agora estamos mais velhas. E mulheres mais velhas intimidam os caras, por serem mais maduras, exigentes e, consequentemente, mais difíceis.
b) Estamos ficando mais feias com o tempo.
Claro que eliminei instantaneamente a segunda opção. É óbvio que só melhoramos com o tempo (principalmente a nossa humildade: sempre trabalhamos muito nisso). Então, começamos um longo papo de que, na verdade, o problema é que fizemos tudo errado.
Durante todo o tempo que deveríamos ter investido nesses homens românticos, procurando, assim, o cara ideal, o nosso príncipe de conto de fadas, estávamos ocupadas demais saindo para baladas, viajando para a praia, planejando carnavais e conhecendo gente nova. E tudo isso pensando superiormente: “Qual o problema dessas meninas que só querem namorar? Olha a idade delas! Como se estivessem fazendo mesmo um grande investimento, como se fossem realmente casar com esses garotos que namoram”. Pois bem, hoje sabemos que elas fizeram um bom investimento. Porque todos os homens bonitos, simpáticos, inteligentes e legais da nossa faixa de idade (dos 20 aos, vejamos, aceitáveis 28 anos) já foram pegos. E o que sobrou para a gente, as tão descoladas e espertas garotas do mundo? O resto.
E, agora, a questão é: como resolver essa situação? Baseando seriamente na nossa maior fonte de identificação com o futuro que nos aguarda, Sex and the City, existem apenas quatro alternativas (parece bastante, mas espere chegar até o final):
1) Apelar para um cara mais novo. Assim como a Samantha. Assim como uma de nosso grupo já fez. Porque os meninos mais novos, quando ficam com uma garota mais velha, sentem-se poderosos. Eles, basicamente, não entendem como conseguiram isso, mas o importante é que conseguiram, então dão o melhor de si para que o relacionamento não acabe. A princípio, parece uma boa alternativa, mas todas já vimos no clássico filme que, com o tempo, você vai enjoar da juventude dele e acabar ficando gorda.
2) Engravidar de um barman e se mudar para o Brooklin. Ainda não cheguei a conclusão de qual é o equivalente do Brooklin em São Paulo, mas tenho certeza de que não é o Brooklin daqui. E essa não é uma opção muito desejável, afinal de contas.
3) Casar com um advogado feio e careca. Claro que, quem tem mais chances de acabar assim, é a minha roomate que estuda direito. E eu já me pergunto quais as chances dela conhecer um cara na faculdade que preencha esses requisitos.
4) Ser abandonada no altar.
Logo, podemos concluir que não, não existe uma solução viável para o nosso problema. Já era, estamos perdidas. Teremos que comprar cães, gatos e peixes para preencher esse vazio. Levaremos a vida do nosso segundo tipo de identificação com o futuro, O Diário de Bridget Jones (mas sem o Darcy). Moraremos todas juntas para sempre, para não morrermos de solidão. Tudo porque passamos a juventude indo para baladas, viajando para a praia e planejando carnavais, enquanto as outras garotas trabalhavam na construção de seus futuros perfeitos. Somos as cigarras dessa história e elas, as formigas. Cantamos demais em nosso verão.
Bom, ao menos, somos seis garotas cursando boas universidades, com grandes planos de carreira. E, no futuro, não seremos tão humilhadas pelo resto da sociedade, pois sempre poderemos usar a desculpa de que passamos a vida toda pensando em nossos trabalhos e não tivemos tempo, portanto, para formar uma família. E as pessoas balançarão a cabeça e concordarão, pensando: “Essas mulheres modernas”.

P.S.: Sim, sofremos de velhice mental precoce.
P.P.S.: Esse ano passaremos o carnaval em São Luiz do Paraitinga (estou muito entusiasmada). Espero voltar com grandes histórias. Isso se eu voltar.

13/02/2009

Acabou

Pois é, todo o ócio de que eu reclamava sobre acabou. Eu deveria estar contente, mas não. Pior do que não ter nada para fazer, é ter um monte de coisas para fazer. Prometo que em 2009 serei menos contraditória. Ou não.
Estou há uma semana em São Paulo. No apartamento novo, que batizamos de Pasárgada - pelo poema, claro, e para dizermos às pessoas: “Dá uma passada lá em Pasárgada para passar o tempo”. Foi invenção da Tiemy (a frase). Nos primeiros dias, a casa parecia um grande salão de festas, mas os móveis acabaram chegando, aos poucos. Agora quase parece uma moradia de verdade.
Apenas a cozinha está completa (o fogão ainda não foi instalado). Na sala, temos sofá, TV e DVD. E uma área grande e bonita que deveria ter uma mesa – aquela que ainda não temos. Aceito doações, a propósito. Pensamos também na alternativa de transformar o espaço vazio em outra coisa: bar, casinha do Fidel, um ambiente zen com camas para massagem (e massagistas bonitos) ou área japonesa com almofadas no chão para a gente comer (não sei como chama isso). Mas, por enquanto, é apenas o Espaço Vazio.
Temos também banheiros, mas sem água quente, no momento. O quarto da Tiemy tem luz de “climinha” (aquela que você pode ir aumentando gradualmente). Isso é porque ela namora. Meu quarto veio com luzes de balada no teto. Isso é porque eu sou uma solteira convicta. As luzes do quarto da Nathalia são neutras.
Vi o Rodrigo Santoro outro dia, mas ele se parecia menos com o ator dessa vez. Acho que minha imaginação exagerou demais na memória que tinha dele. O Rô estava de novo com a senhora do cachorrinho, então imagino que ele more com ela. Pode ser filho. Ou eles podem ser um casal. Se for assim, espero ficar velhinha como essa velhinha: esperta. Também vimos um outro vizinho bonito, o apelidado Gatinho da Balada. Porque ele tem cara desses meninos que a gente só encontra em balada e nenhum lugar mais. Descobrimos, então, que a Tiemy e eu temos uma anteninha ligada 24 horas identificando homens bonitos. A freqüência dispara quando encontramos um e uma olha para a outra aprovando. A Nathalia não sofre disso. Espero que o namorado da Ti não leia esse texto (mas caso leia, eu juro que ela só olha e nada mais). Enfim.
Também descobrimos uma república no prédio vizinho, em um apartamento que dá de frente para a nossa sacada, mas uns dois andares abaixo. Desconfiamos após ver um grande tapete azul da Metodista no chão da sala, esta que também possui uma cama de casal com lençol rosa, um sofá amarelo, uma mesa redonda, um computador, uma TV e um cachorro grande, preto e bonito. Concluímos que só poderia ser um apartamento de homens (quem mais coloca uma cama de casal na sala?). São seis. E eles também já nos descobriram (a cena de nós pulando de susto para dentro da sala depois que um dos caras olhou para cima, na nossa direção, foi a coisa mais humilhante até agora. Até agora).
Bom, é isso. Acho que não tenho mais novidades. Não conseguimos descobrir se os caras da república são ou não bonitos, porque não podemos mais colocar a cara na varanda. Quanto à minha faculdade, só tenho uma coisa a comentar: eu nasci para ser veterana. Nasci para mandar. Sério, sou muito boa nisso. Mas juro que não judiei muito dos meus bixos. Na verdade, eles são, em sua maioria, muito legais.
2009 vai ser sucesso.

P.S.: Essa semana, provavelmente, continuarei sem internet (até os caras da NET resolverem aparecer lá em casa). Então programei uns posts para os próximos dias, para o blog não ficar abandonado de novo. Olha como eu sou dedicada :)

06/02/2009

Crianças anônimas

Isso me lembra Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
Morro de medo de manequins assim (mas os piores, na verdade, são os que têm, realmente, um rosto: sempre acho que vão virar os olhos para mim).

02/02/2009

Jornalista

"O jornalismo é uma arte que nos divorcia completamente da literatura. O homem de imprensa é a mais viva contradição do escritor. Nós, jornalistas, não passamos de índoles descritivas. Somos no máximo coloristas dos fatos, se quiserem, mas nunca, jamais, criaturas de imagens e de idéias."

Trecho do livro Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais.

Odeio quando as verdades são jogadas assim, na cara.