29/03/2009

Discussões que não posso ter com a Nathalia - Parte II

Sobre o livro O Encontro Marcado

Essa é a mais difícil, entre todas, de explicar. Quando aconteceu, a Nathalia não tinha lido ainda o livro citado, que é o meu favorito. O motivo da discussão foi quando eu citei para ela o seguinte trecho: “Tenho uma coisa muito importante para dizer, mas prefiro não dizê-la. Só é sincero aquilo que não é dito”. A explicação é de que o silêncio é a linguagem de Deus. A linguagem do homem é suja, rebuscada, atormentada. Melhor explicando: você ama uma pessoa. Mas você ama tanto, tão infinitamente, que não basta apenas dizer que a ama, nunca é o suficiente. Logo, quando você diz “eu te amo”, você está mentindo, porque apenas isso não é equivalente ao seu sentimento. Eu acho essa a teoria mais inteligente que já li e a coisa mais bonita do mundo.
Mais tarde, quando a Ná resolveu incluir a mãe dela na discussão, fiquei sabendo da explicação por trás dessa passagem do livro: Fernando Sabino se refere ao Ágape, ou seja, “o amor puro na essência espiritual, que não pode ser descrito com palavras ou sequer representado por símbolos. Pode apenas ser sentido e idealizado, jamais verbalizado em qualquer sentido, pois não haveriam palavras suficientes para descrevê-lo”. Ela ainda me contou o seguinte: “Essa citação também se refere aos deuses pagãos (Hare Krishina, Druídas, Celtas), onde as deidades não poderiam verbalizar as sensações, pois eram indescritíveis. Se descritas ou postas em palavras, perderiam seus encantos e não seriam mais divinas, tornar-se-iam contaminadas e sujas”. Depois disso, não preciso nem explicar mais nada.
Mas a Nathalia continua teimando o lado dela. Este, de que as palavras são essenciais em nossas vidas e em nossos relacionamentos. Toda vez que entramos nesse papo, ele fica meio distorcido, mas o ponto dela é de que jamais seríamos felizes sem ouvir ou falar um “eu te amo”, sem jamais expressarmos o que sentimos. Porque só o silêncio não constrói uma boa relação – pelo contrário, pode destruí-la. Que ouvir o que a pessoa acha de você é muito mais importante do que uma demonstração de afeto de outra forma. (Eu acho que, na verdade, depois que ela leu o livro – por minha insistência –, mudou de opinião, mas simplesmente não quer admitir).

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