Existem alguns assuntos que a Nathalia, minha roomate, e eu não podemos ter de jeito nenhum. Isso porque nós duas somos parecidas em muitos aspectos – entre eles, na teimosia e na dificuldade (basicamente inexistência) de dar o braço a torcer. Bom, somos amigas já há alguns anos, mas só fomos descobrir essas divergências, digamos, mortais, ano passado, quando começamos a morar juntas. Eram três, mas recentemente descobrimos uma quarta. São elas motivos de horas de debate, cara feia e inclusão forçada de outras pessoas na “briga” (meu lado contra o dela). Tudo para concluir que “se for continuar assim, teremos que colocar um varal e um lençol dividindo nosso quarto ao meio”.
Vou contar as discussões em posts separados, como uma série. Mas quero deixar claro, antes de tudo, que não estou escrevendo com o propósito de acirrar as brigas lá em casa ou ser tendencionista em meus argumetos*. Ná, quando você ler isso, não precisa fazer um comentário megagigante dando seu ponto de vista e persuadindo as pessoas a pensarem como você. O Hialoplasma é um blog democrático e a favor do livre arbítrio. Entretanto, dou o direito à réplica, caso você queira fazê-la, em seu blog.
Sobre viajar ou não com guias turísticos
Não me refiro àqueles guias encadernados, com mapas e dicas, um Quatro Rodas da vida. Pelo contrário, isso é muito importante, senão você se torna apenas uma barata perdida em um lugar estranho. Não, refiro-me aos guias-humanos. Aqueles que acompanham excursões, planejam passeios e fazem você usar uma pulseirinha de identificação. São os famosos Guias CVC.
Eu sou contra. Viagens programadas com guias são apenas uma comodidade a mais (ou seja, uma preguiça de planejar sozinho seu passeio) com o único propósito de te deixar mais pobre (porque saem mais caras: você tem que pagar o salário do cara, afinal). Quão mais prazeroso não é você mesmo decidir seu caminho, o rumo da sua viagem. Se você não está afim de acordar às 7 da manhã para fazer aquele passeio ao centro histórico da cidade, não precisa. Acorde a hora que quiser e vá a hora que achar melhor. Se você também é uma dessas pessoas que não sente a menor alegria em compartilhar um ônibus com mais 40 turistas e suas máquinas fotográficas, olhando todos pela janela direita “a fabulosa praia de Carapicuíba, mas que, infelizmente, não teremos tempo para parar” porque tudo está agendado e programado, com seus horários de começar e acabar marcados, você pensa como eu.
Minha querida amiga, entretanto, acha um absurdo. Imagine você, sozinho em outro país, por exemplo, de idioma desconhecido, perdido no meio de um monte de pessoas estranhas, com nada mais que um mapinha e um dicionário de bolso. Perigosíssimo. Muito melhor é ter alguém te guiando e ajudando nos passeios, para você não perder tempo e poder conhecer os principais pontos turísticos comodamente.
(Observação: Eu não acho nada uma perda de tempo. Ficar perdido, ter que pedir informações e outras situações do gênero apenas fazem parte da aventura de conhecer novos lugares – e, depois, ter história para contar).
Esse foi o primeiro assunto que descobrimos que jamais entraremos em um acordo. Um problema, claro, quando resolvemos entrar no tópico de nossas conversas Programar Nossa Viagem Para a Europa, que, por enquanto, e devido a isso, é apenas algo vago.
* Mentira, eu vou ser completamente tendencionista. O blog é meu, eu que mando.
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