Minhas amigas saíram esses tempos, em uma noite que eu não pude ir. No outro dia, fui colocada à par do principal assunto daquela mesa de bar: o fato de que já não chegam mais tantos homens na gente quanto antigamente. Elas surgiram, então, com duas possíveis respostas para o problema apresentado:
a) Agora estamos mais velhas. E mulheres mais velhas intimidam os caras, por serem mais maduras, exigentes e, consequentemente, mais difíceis.
b) Estamos ficando mais feias com o tempo.
Claro que eliminei instantaneamente a segunda opção. É óbvio que só melhoramos com o tempo (principalmente a nossa humildade: sempre trabalhamos muito nisso). Então, começamos um longo papo de que, na verdade, o problema é que fizemos tudo errado.
Durante todo o tempo que deveríamos ter investido nesses homens românticos, procurando, assim, o cara ideal, o nosso príncipe de conto de fadas, estávamos ocupadas demais saindo para baladas, viajando para a praia, planejando carnavais e conhecendo gente nova. E tudo isso pensando superiormente: “Qual o problema dessas meninas que só querem namorar? Olha a idade delas! Como se estivessem fazendo mesmo um grande investimento, como se fossem realmente casar com esses garotos que namoram”. Pois bem, hoje sabemos que elas fizeram um bom investimento. Porque todos os homens bonitos, simpáticos, inteligentes e legais da nossa faixa de idade (dos 20 aos, vejamos, aceitáveis 28 anos) já foram pegos. E o que sobrou para a gente, as tão descoladas e espertas garotas do mundo? O resto.
E, agora, a questão é: como resolver essa situação? Baseando seriamente na nossa maior fonte de identificação com o futuro que nos aguarda, Sex and the City, existem apenas quatro alternativas (parece bastante, mas espere chegar até o final):
1) Apelar para um cara mais novo. Assim como a Samantha. Assim como uma de nosso grupo já fez. Porque os meninos mais novos, quando ficam com uma garota mais velha, sentem-se poderosos. Eles, basicamente, não entendem como conseguiram isso, mas o importante é que conseguiram, então dão o melhor de si para que o relacionamento não acabe. A princípio, parece uma boa alternativa, mas todas já vimos no clássico filme que, com o tempo, você vai enjoar da juventude dele e acabar ficando gorda.
2) Engravidar de um barman e se mudar para o Brooklin. Ainda não cheguei a conclusão de qual é o equivalente do Brooklin em São Paulo, mas tenho certeza de que não é o Brooklin daqui. E essa não é uma opção muito desejável, afinal de contas.
3) Casar com um advogado feio e careca. Claro que, quem tem mais chances de acabar assim, é a minha roomate que estuda direito. E eu já me pergunto quais as chances dela conhecer um cara na faculdade que preencha esses requisitos.
4) Ser abandonada no altar.
Logo, podemos concluir que não, não existe uma solução viável para o nosso problema. Já era, estamos perdidas. Teremos que comprar cães, gatos e peixes para preencher esse vazio. Levaremos a vida do nosso segundo tipo de identificação com o futuro, O Diário de Bridget Jones (mas sem o Darcy). Moraremos todas juntas para sempre, para não morrermos de solidão. Tudo porque passamos a juventude indo para baladas, viajando para a praia e planejando carnavais, enquanto as outras garotas trabalhavam na construção de seus futuros perfeitos. Somos as cigarras dessa história e elas, as formigas. Cantamos demais em nosso verão.
Bom, ao menos, somos seis garotas cursando boas universidades, com grandes planos de carreira. E, no futuro, não seremos tão humilhadas pelo resto da sociedade, pois sempre poderemos usar a desculpa de que passamos a vida toda pensando em nossos trabalhos e não tivemos tempo, portanto, para formar uma família. E as pessoas balançarão a cabeça e concordarão, pensando: “Essas mulheres modernas”.
P.S.: Sim, sofremos de velhice mental precoce.
P.P.S.: Esse ano passaremos o carnaval em São Luiz do Paraitinga (estou muito entusiasmada). Espero voltar com grandes histórias. Isso se eu voltar.
16/02/2009
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